terça-feira, 16 de novembro de 2010
Desvalorização do profissional ou da saúde coletiva?
Meus últimos encontros com profissionais da saúde, principalmente os que exercem a saúde coletiva não têm sido muito festivos. É um festival de reclamações, falta de esperança dos sistemas públicos de de planos privados e desistímulo para exercer seu papel social com dignidade e orgulho, A maioria relata ir trabalhar para receber o salário no fim do mês, desenvolve tarefas triviais e não faz o menor esforço para melhorar ou tentar alterar sua condição de trabalho. Será desvalorização do profissional? Ou da saúde coletiva? Tenho refletido e acredito que são as duas situações. Vejo a formação dos profissionais da saúde cada vez mais precária e o poder público ou privado cada vez menos interessado em invertir na saúde coletiva. E o que devemos fazer? Cruzar os braços? Seguir de cabeça baixa? O que vocês acham?
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Olá, inicialmente gostaria de cumprimentar a iniciativa do blog principalmente por lançar o desafio de se pensar a Saúde Coletiva nesse país. Meu nome é Otávio e sou professor substituto da Faculdade de Odontologia da UFRGS, onde estou concluindo meu mestrado em Saúde Bucal Coletiva.
ResponderExcluirA respeito desta postagem imagino que a reflexão precisa ser feita em profundidade. O SUS enquanto sistema de saúde vem sofrendo grandes transformações. Embora tenha sido pensado e concebido na expectativa de uma atenção primária resolutiva e de qualidade, por muito tempo ele foi administrado como um sistema de pobre para pobre. Contudo, nos últimos anos profundas mudanças foram percebidas. A efetiva municipalização, a regionalização e hierarquização dos níveis de atenção, a ESF como importante estratégia de expansão e financiamento da atenção primária, a educação permanente dos profissionais entre outros avanços. Evidentemente ainda estamos longe do ideal, principalmente por que estamos inserido num país enorme, com diferentes necessidades de dificil equalização. Além disso, muitos entraves do sistema como financiamento, planejamento, estrutura e sistema de informação precisam ainda serem superados para que o SUS possa fornecer uma atenção a saúde de alta qualidade. Não obstante, muitas escolas de graduação optaram por uma tranformação curricular proporcionando aos seus alunos, momentos singulares de reflexão com uma ênfase maior nos estágios e disciplinas que envolvem a atenção primária. Esse trabalho, creio eu, é fundamental para a transformação da odontologia no país, tornando uma profissão historicamente mercantil, tecnicista e acrítica num ponto de apoio técnico político importante para consolidação da atenção primária nesse país.
Por fim, gostaria de citar a conquista do governo da Bahia que formou um sistema de atenção primária que realmente pode trazer importantes avanços no país, recomendo a todos os interessados lerem a respeito e discutirem tal proposta.
Um Grande abraço.
Otávio.
Olá Otávio,
ResponderExcluirobrigada por aderir à proposta. Sua participação é muito importante. Gostaria que você nos indicasse alguns trabalhos sobre as conquistas do governo da Bahia, com o corre-corre do dia-dia nem todos tem tempo nem estímulo de iniciar uma pesquisa, logo suas sugestões serão de grande iniciativa.
Quanto à postagem em questão, gostaria de acrescentar que a formação do profissional, com a readaptação do currículo, realmente têm buscado uma melhora no sentido de abrir os horizontes da profissão para o sentido coletivo. Mas será que está no caminho certo? Tenho observado aqui pelo Piauí, uma reprodução de atividades ditas "preventivas" que ao meu ver pouco se diferem do modelo escolar do passado. Para ser mais específica, em certos momentos acredito que apenas aumentou a carga horária que os acadêmicos ficam envolvidos com escovação supervisionada e palestras. Esses alunos não são estimulados para pensar, não se inserem nas comunidades, não participam da rotina dos bairros... ficam "alojados confortavelmente nas escolas e nas salas dos consultórios dos postos de saúde".
E as empresas privadas? O que têm feito para melhorar a saúde bucal do trabalhador? Será que só a legislação específica, que a especialidade de odontologia do trabalho tanto almeja,é suficiente para desencadear alguma mudança?
Vamos lá, vamos pensar....
Olá!!
ResponderExcluirGostaria de parabenizar a iniciativa deste blog.
Meu nome é Rômulo Gueth, sou formado pela UFPI em 2001(Olá, Josiene, tudo bem?), atualmente aluno do curso de especialização em Saúde Coletiva da SLMandic e atuo no PSF em União-PI há 8 anos.
A saúde bucal no PSF é ainda muito jovem, vem engatinhando lentamente. Participei das primeiras equipes implatadas no meu município e de lá para cá percebo pequenos avanços. Antes as pessoas não entendiam muito a questão da divisão de áreas de abrangência por equipe, realizávamos muitas exodontias. Agora a população já entende que cada família tem o seu dentista e o números de perdas dentárias vem diminuindo, mas isso são pequenos detalhes diante da grandiosidade do que o SUS propõe. Acho que tanto gestores quanto profissionais ainda não entenderam o que é realmente a Saúde Coletiva - estão com práticas e pensamentos do passado, muito imediatistas e sem visão de futuro, mas acredito que a transição, embora a passos lentos está acontecendo e que chegaremos lá; toda mudança é assim.
O Brasil tem uma das legislações de saúde mais belas do mundo, o que falta é incorporá-la em nossos pensamentos e práticas e isso depende de cada um que faz o SUS, principalmente dos que estão no topo da hierarquia. Não adianta só dizer como deve ser o SUS, deve haver uma motivação, uma mobilização para fazê-lo acontecer. E como motivar? Aumentando os salários através da criação de mais um imposto? Reformulando as grades curriculares das faculdades? Aumentando a qualidade técnica e o conforto dos profissionais no trabalho? Fazendo uma reforma política em todos os sentidos?
Se olharmos o SUS com os olhos do capitalismo ele não tem nenhum atrativo aos profissionais, porque "paga mal": a mídia influencia a busca da beleza, da riqueza, do sucesso financeiro, ou seja, de uma feliciade que pode ser artificial, então não seria melhor fazer Orto ou Implantodontia?. Como anda a formação em Saúde Coletiva nas faculdades, principalmente públicas? Estão orientando os alunos no pensamento filosófico da Saúde Coletiva, ou só ensinando a montar álbum seriado e falar dos diversos tipos de fluoretos, da composição dos materiais dentários? Os gestores, andam preocupados com a quantidade de atendimentos ou com a qualidade; sabem da real situação de saúde das pessoas para ter base para um bom planejamento?
Acredito que um conjunto de mudanças em todos os níveis tornará a Saúde Coletiva mais atrativa para a grande maioria dos profissionais, aqueles que infelizmente ainda não perceberam que o "essencial é invisível aos olhos". A motivação para os que a fazem atualmente acreditando que o salário mensal é mera consequencia está interna e é nestes onde está a semente.
Olá Rômulo! Saudades! Seja bem-vindo à discussão sua opinião é muito importante para todos nós.Realmente, concordo com você: o que é mais urgente é a mudança de pensamento sobre o que realmente é ser feliz. Isso é fundamental para muitas coisas acontecerem: estímulo acadêmico, realização profissional e pessoal, busca de um mundo melhor, solidariedade, dedicação....Que tal plantarmos a sementinha da verdadeira felicidade sugerida pelo Rômulo? Só depende de cada um.
ResponderExcluirÉ geral as lamentações dos profissionais de saúde coletiva pela sua desvalorização profissional. Devo afirmar que será passageiro. Na nova lógica de determinantes sociais de saúde de da linha de cuidaddo para tratar as doenças a saúde coletiva compreende 80 % da resolução dos problemas . Nesse contexto o profissional de saúde coletvia será valorizado e terá sua recompensa financeira e social.
ResponderExcluirPodem contar comigo
beijão
Profa Lis Marinho
Oi pessoal,
ResponderExcluirlinks para quem quer conhecer mais da proposta Bahiana.
http://bvssp.icict.fiocruz.br/pdf/25689_andradelra.pdf
http://pesquisa.bvsalud.org/regional/resources/lil-554150
Olá profa Lis, é um grande prazer contar com sua participação nessa proposta. Você está sempre atualizada em saúde coletiva e é uma honra ter seu comentário aqui. Fico ainda mais feliz em ver que você é otimista com relação à valorização do profissional e torço para que realmente venha a recompensa financeira e a satisfação na realização das atividades coletivas. Um grande abraço.
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