terça-feira, 30 de novembro de 2010

Reflexão sobre gestão de trabalho na Estratégia Saúde da Família


      Achei muito interessante o trabalho da Laíse Rezende de Andrade, sugerido pelo Otávio para discussão. São muitos aspectos relevantes, então optei começar pelo objetivo principal da dissertação dela: quais são as possibilidades e os limites da proposta de gestão do trabalho para o enfrentamento de problemas como o provimento, fixação e qualificação dos trabalhadores para a Estratégia de Saúde da Família (PSF)? No caso do trabalho da Laíse, ela considera o papel da Fundação Estatal Saúde da Família para tentar responder essa questão na Bahia. Aqui nós poderemos comentar o que está sendo realizado no nosso Estado ou Município para tentar solucionar a mesma questão. O que vocês acham?
     Tenho alguma experiência no município de Teresina, Piauí, onde trabalhei como dentista do PSF por dois anos e onde acompanho a mais tempo, como observadora, as tentativas de melhoria da gestão de trabalho no PSF. Aqui, a Fundação Municipal de Saúde fez algumas adaptações na proposta inicial do PSF como a organização das equipes com carga horária de trabalho de 6 horas, considerado horário corrido trabalho, para ajustar a falta de salas e consultórios suficientes para todas as equipes implantadas e para tentar fixar o profissional na função. Aqui, a fixação do profissional se refere principalmente ao médico (a), que geralmente apresentava outros campos de trabalhos mais lucrativos e não tinha interesse em trabalhar no PSF no horário convencional. A categoria médica ainda conseguiu, antes dos outros profissionais do PSF, uma agenda para a implementação de um plano de carreira e salários, o que melhorou significativamente a remuneração da mesma. Os demais profissionais das equipes estão discutindo seus planos.
       Outra estratégia da Fundação Municipal foi a realização de concurso público para contração de profissionais para o PSF, mesmo existindo a contratação de serviços prestados, essa é sem dúvida a iniciativa mais democrática de contração.
Entretanto, as condições de trabalho ainda são muito precárias. Falta estrutura física adequada, meios de transporte suficientes para realizar visitas domiciliares e motivação do profissional por meio de capacitação adequada às atividades desenvolvidas.
     Certamente outras experiências em estados, municípios ou aqui mesmo em Teresina podem complementar e engrandecer essa discussão. Estamos esperando.

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